Anda meio pesado meu blog né... eu sei, me desculpem... existem coisas, que por mais que eu não escreva, alguns de vocês devem ser capazes de sentir... eu ponho muito de mim nisso tudo e espero não ter "pesado" demais ninguém...
Mais do que nunca, as coisas estão melhorando... e em homenagem a esse momento e retorno dos posts mais leves e divertidos, vou falar sobre os dias mais felizes da minha vida.
Tem o dia que vai ser o mais feliz da minha vida, o que já foi e o segundo dia mais feliz da minha vida.
Vou começar pelo segundo dia mais feliz da minha vida: 17/06/2009... Era um dia chuvoso, 3 dias antes do meu aniversário de 26 anos... eu acordei e parecia que já tinha uma sensação nova no ar... e já deveria ter, pois depois de 9 meses tinha provavelmente chegado a hora...Como eu já devo ter comentado, eu e minha irmã Patrícia nunca fomos melhores amigas. E sempre digo, somos muito mais que isso, somos irmãs. E foi ela que me deu o segundo dia mais feliz da minha vida.
Acho a ligação entre irmãos mais forte do que muita coisa e ultimamente tenho percebido mais isso. Percebo também, que por mais que na infância a gente se dê uns tapas e uns puxões de cabelo, a gente não quer nem fugir de casa nem que eles morram, diferente dos pais em alguns momentos hehehe
Voltando ao dia 17 chuvoso, ganhei uma carona e fui então, bem nervosa, para o tal "palco" do acontecido. Encontrei minha irmã esperando a "hora da hora" ainda no saguão, e senti um frio na barriga. Naquele momento, me dei conta que não é nada fácil saber que alguém "nosso" está prestes a sentir muita dor e não poder fazer nada. É bem difícil na verdade. Depois chegaram outras pessoas e fomos nos ajudando a ficar mais calmos.
Algumas horas depois, acho que pouco mais de 30 minutos antes do dia 18, ficamos sabendo que tinha dado tudo certo e como eu digo, tínhamos "brotado".
Minha família sempre teve uma estrutura muito sólida e clássica: pai, mãe e duas filhas. Com o tempo, nada disso restou, mas a sensação de "unidade" daquele momento é indescritível. É como se fossemos uma só plantinha e depois de mais de 25 anos tivéssemos tido um brotinho.
Era todo aquele "miado" na janela de vidro pra ver o brotinho, como nas novelas, filmes e propagandas de final de ano... era uma pequena meio careca, meio ruivinha, bem observadora, que só chorou quando deram banho... mas quem não choraria, depois de 9 meses na água quentinha, aquela pia de inox gelada, aquelas mão estranhas... e ela não tinha cara de joelho... tinha cara de Helena.
Mas eu não estava totalmente feliz ainda. Precisava ver com meus próprios olhos como estava minha irmã. E vocês sabem, esse sim é o momento mais feliz... ela estava lá, meio deitada meio sentada, com cara de quem estava sentindo dor e nem se dava conta... um sorriso de alívio e cansaço, junto com a pequena Helena. A duas bem e juntas novamente.
O primeiro dia mais feliz então, foi dia 20/01/2006.
Depois de passar quase uma semana na casa do meu pai, para ficar mais próximo do local de prova, e dar um pouco de trabalho para a esposa dele que estava há menos de 1 mês de ganhar bebê (aliás, hoje faz 5 anos que a Nicole nasceu!) vivi uma maratona de provas, um calor infernal em Porto Alegre corrigindo gabaritos atentamente e pensando "é agora ou nunca".
Por motivos tanto financeiros quando culturais, meus pais nos criaram dizendo: vocês não podem depender de marido pra viver, precisam fazer faculdade e tem que ser na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Acho que crescemos com aquilo na cabeça e antes de ser uma obrigação, era uma sentença. E não foi fácil... nossa escola era muito fraca e apenas com cursinho eu conseguiria... como eu não tinha dinheiro pra pagar - meus pais tinham se separado quando eu estava no terceiro ano e meu curso técnico já estava no final - , uma grande amiga minha (Teca) fez um rolo com uma amiga e conseguimos uma bolsa pra mim em um dos melhores e mais caros cursinhos da época. Estudei mais do que eu poderia, superei problemas (simm, parece que sempre me acompanham... é pra dar graça né hahahaha). Depois de muitas "tarefas mínimas e tarefas complementares" - piada interna do cursinho- fui para minhas provas...
No dia 20/01 estava previsto sair o listão. Eu ia ver pela internet o resultado, mas graças a Deus, minha amiga Cali me ligou e disse "ah não, vamos que eu vou contigo lá na reitoria esperar a lista sair!!!". Eu tenho que agradecer pra sempre essa gringa safada que me convenceu.
Estávamos lá sentadinhas esperando sair o resultado e quando chegou na hora, em seguida passou alguém por nós e disse "já estão lá colando as listas!". Na hora, vou dizer pra vocês... parece que cai uma bigorna de 50 kg nas costas... eu demorei segundos pra levantar que pareceram dias... passa um filme na cabeça, revendo todo esforço, cansaço e conseqüencias de não conseguir, mas o mais preocupante, de conseguir.
Quando levantei, sentia meus pés pesados... fui chegando perto e vendo as pessoas gritando, chorando e fui ficando com medo... antes de olhar a letra "G", fui ver a letra "A" para uma amiga que estava no trabalho... ela passou. Fui chegando perto da lista, perto da minha letra e depois só lembro de ver ao lado do meu nome "1° semestre" que me surpreendeu mais do que meu próprio nome. Só lembro de "flashs" depois disso. A gringa Cali chorando e me abraçando... a Teca veio correndo ali de perto, e o olho azul piscina estava vermelho de tanto que ela chorava... meu pai estava passando lá perto e me ligou, eu fui em direção a grade e ao portão da faculdade, que estava fechado em função do horário de férias, e vi meu pai largando o carro em qualquer lugar correndo atravessando a rua na minha direção... lembro dele quase chorando e me apertando contra a grade... não dava tempo de fazer a volta.
Depois disso minha tia Lise me ligou chorando e muitas outras pessoas me ligaram. Convidei quem eu consegui naqueles momentos pra ir em um bar e até meu vô apareceu!!
Eu não chorei. Não sei descrever a sensação... o melhor que eu consigo é contar, pra ver se vocês imaginam. É um alívio, uma alegria, uma preocupação, um medo, um orgulho de si mesmo. Uma felicidade de saber que tantas pessos se orgulham de mim e estão ao meu lado. E digo pra vocês, que tavez seja mais importante quem está ao nosso lado nesses momentos que nos piores. Pois nesses é que vamos sorrir e talvez até chorar lembrando... quando eu conto pra alguém, do meu pai correndo pra me abraçar através da grade, eu sempre choro. Os piores momentos, queremos esquecer.
Espero ter conseguido passar um pouquinho desses dias pra vocês!!
Um beijão, uma ótima semana!!
Lindo!
ResponderExcluirNão sabia do abraço gradeado =)
Da minha parte, vem aí outro dia muito feliz, não sei qual a colocação, mas há de ser importante...
Lov U!
Beijos